16 de novembro de 2012


AMÊNDOA DO DOURO
 

Douro em flor de amêndoa (Teresa Teixeira)

 

A Amêndoa do Douro obtém-se das variedades Parada, Casa Nova, Pestaneta, Duro Italiano, José Dias, Duro Estrada, Dona Virtude, Boa Casta, Bonita de São Brás, Sebastião Guerra, Molar, Amêndoa de Um Grão, Gémea e Verdeal. As características morfológicas e químicas das amêndoas são diferentes conforme a variedade.

A área geográfica de produção, tratamento e acondicionamento da Amêndoa do Douro está circunscrita aos concelhos de Alfândega da Fé, Freixo de Espada à Cinta, Moncorvo, Vila Flor, Vila Nova de Foz Coa, São João da Pesqueira (exceto nas freguesias de Riodades e Paredes da Beira), bem como às freguesias de Castelo Branco e Meirinhos do concelho de Mogadouro, Escalhão do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo e Fonte Longa, Longroiva, Meda e Poço do Canto do concelho de Meda. Este tipo de amendoeiras cresce espontânea e facilmente em terrenos pedregosos, no caso, em solos de origem xistosa, ácidos e pouco férteis e com microclima peculiar.

No nosso país, as principais regiões produtoras deste fruto são o Douro e o Algarve, mas cerca de 70% da amêndoa portuguesa é produzida em Trás-os-Montes e Alto Douro. Nesta região, onde a amêndoa tem Denominação de Origem Protegida (DOP), parte significativa da produção está concentrada em pequenos e médios produtores, com empresas de tipo familiar cabendo aos industriais proceder à transformação e comercialização do produto.

Esta amêndoa pode ser comercializada em casca ou descascada (miolo de amêndoa), este último ainda em miolo pelado ou torrado, não podendo ser misturadas diferentes variedades no mesmo lote, em embalagens de rede, ráfia ou serapilheira, nas seguintes quantidades líquidas: 250 g / 500 g / 1 Kg / 5 Kg para amêndoa com casca; 100 g / 250 g / 500 g / 1 kg / 10 kg / 15 Kg / 25 Kg para amêndoa sem casca; 100 g / 250 g / 500 g / 1 kg / 10 kg / 15 Kg / 25 Kg para miolo de amêndoa pelado ou torrado. No Douro a comercialização inicia-se nos primeiros dias de Outubro até meados de Dezembro e destina-se sobretudo ao mercado interno, nomeadamente aos mercados abastecedores ou a pastelarias e confeitarias regionais (a tradição na produção e consumo de amêndoa serve principalmente a doçaria regional) e em alguma parte ao mercado externo, em particular o espanhol.

Para além da relevância deste fruto destaca-se também a importância turística das amendoeiras em flor na região que todos os anos, entre Fevereiro e Março, atraem imensos visitantes.
Na região de Trás-os-Montes e Alto Douro onde a existência de amendoeiras remonta às origens das povoações e é reconhecida por cartas régias, a Amêndoa do Douro é bastante apreciada em doces regionais ou coberta com açúcar (estas especialmente consumidas na Páscoa).

15 de novembro de 2012

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BOLO DE MEL DA MADEIRA


‘Bolo de mel’, para um madeirense, é sempre ‘bolo de mel de cana de açúcar’!”

 (João Dionísio, no Prefácio do livro “O Bolo de Mel”, de João José Abreu de Sousa)

 

O Bolo de Mel, de forma redonda e achatada é a mais famosa e antiga iguaria da doçaria madeirense. Devido ao mel de cana-de-açúcar com que é confecionado (e não o mel vulgar), possui uma cor escura, textura consistente e um período de validade de consumo mais alargado. Tem ainda como outros ingredientes frutos secos (amêndoa, nozes, passas de uva), especiarias, vinho da Madeira, erva-doce, laranja.

Segundo a tradição, este bolo deve ser partido usando as próprias mãos e não com faca. Manda ainda a tradição, que o que resta do Bolo de Mel da Madeira do ano anterior seja partido no dia 8 de Dezembro e que também nesta data, dia de Nossa Senhora da Conceição, seja confecionado novo bolo para estar bom no Natal, festa em que é rei na região. Aliás, reza a história que o Bolo de Mel foi criado na Madeira em honra desta festa da família, a começar pela sua preparação, que incentivava a reunião familiar, uma vez que sendo um bolo de difícil confeção exigiria a intervenção de vários elementos da família.

Apesar de existir algum desacordo relativamente à origem do Bolo de Mel da Madeira, em que uns defendem que é resultado da chegada das especiarias depois de descoberto o caminho marítimo para a Índia pelos portugueses e outros, que terá surgido por influência da colónia inglesa na Ilha, mais não sendo do que uma adaptação do tradicional “Christmas Pudding” britânico, outra versão, que parece a mais verosímil, reporta a sua origem aos Conventos de Santa Clara e da Encarnação, nos tempos áureos da produção de açúcar e de mel-de-cana, nas plantações de cana sacarina introduzida na Ilha da Madeira em 1425 (mais tarde propagada a Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Brasil e Ilhas Canárias).

A partir do século XIX a Ilha da Madeira viveu da riqueza da cana-de-açúcar e da produção de açúcar e nesta altura as freiras do Convento de Santa Clara da Madeira introduzem a soda na receita de Bolo de Mel que já vem do século XV, o que fez passar o tempo de fermentação de três para dois dias. Já no século XX acrescentou-se o leite.

Com as transformações sociais e tecnológicas verificou-se nas últimas décadas uma menor dependência do sector primário, pelo que actualmente a cana-de-açúcar é produzida em pequena escala na região mas continua exclusiva para a produção de aguardente de cana e do ingrediente básico deste bolo, o mel-de-cana.

14 de novembro de 2012


PERA ROCHA DO OESTE
 

Pera Rocha, um dos sectores exportadores mais importantes da região Oeste (cmjornal, 18.VI.2011)

 

A Pera Rocha do Oeste é um fruto oval entre 55 – 65 mm de tamanho, de cor amarela a verde clara, casca fina e lisa, cuja polpa é branca, a textura rija, firme e granulada, sumarenta e de sabor doce.

Ainda que a produção de Pera Rocha se concentre maioritariamente nos concelhos do Cadaval e do Bombarral, na região Oeste de Portugal, a restante área de produção mais significativa estende-se a Sintra (de onde será originário este fruto), Torres Vedras, Caldas da Rainha, Alcobaça, Lourinhã, Óbidos e Mafra.

Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Instituto Politécnico de Santarém concluíram que, entre algumas variedades de pera, a Pera Rocha possui uma importante capacidade antioxidante, além de ter maiores níveis de outros compostos químicos reativos contra os radicais livres implicados na deterioração do DNA e no cancro.

Colhida em Agosto e com um período de venda que decorre até finais de Maio (entre Junho e início de Agosto, não se encontra disponível no mercado), a Pera Rocha do Oeste pode ser consumida entre refeições e / ou como sobremesa, simples ou como ingrediente em doçaria, em conserva, saladas, iogurtes, com ou sem casca. Pode igualmente ser bebida através de néctares, sumos ou mesmo em licor de Pera Rocha do Oeste.

Cerca de 70% da produção de Pera Rocha do Oeste é consumida no mercado nacional. Os principais países importadores deste fruto são a Inglaterra e o Brasil, vendendo-se também na Irlanda, França, Canadá, Rússia, Polónia, Bélgica.

A história mais contada sobre a origem da variedade desta pera remonta a 1836, ano em que foi identificada no concelho de Sintra, na propriedade do Sr. Pedro António Rocha, uma pereira diferente, com frutos de qualidade invulgar. A fama ter-se-á espalhado e na região Oeste foram-se enxertando árvores a partir da original, tornando-se o produto conhecido como “Pera Rocha” (apelido do proprietário da árvore). A exportação ter-se-á também iniciado no século XIX mas o maior incremento deu-se a partir da campanha de 1991.

13 de novembro de 2012


QUEIJO DE SERPA
 

“A cidade branca (Serpa) enfeitiça os forasteiros com imperial e queijo, castelo e muralha, cascatas e terras à volta.”
(DN, 02/08/2012)

 
O Queijo Serpa é possivelmente o queijo tradicional mais famoso do Alentejo, com aroma forte e sabor picante. Trata-se de um queijo de ovelha curado, de pasta semi - mole, amanteigada – podendo mesmo entornar – com teor de humidade de 61% a 69%, cor branca amarelada, obtida por esgotamento lento da coalhada após a coagulação do leite cru de ovelha (filtrado através de panos de lã dobrados até 40 vezes), por ação de uma infusão sal e cardo vegetal. No corte da coalhada são utilizados apenas quatro movimentos ligeiros, que se presume estarem associados a tradições religiosas, antes de serem curados durante 30 dias em ambiente fresco e húmido nas “rouparias” – termo utilizado pra “queijarias”, devido à cinta de pano branco colocada à volta do queijo, para lhe dar forma.

Com tecnologia de fabrico oriunda da Serra da Estrela, o Queijo de Serpa adquiriu características muito próprias devido às condições climáticas, de solos e pastagens da sua região de origem, o concelho de Serpa, hoje em dia alargado a 12 concelhos do distrito de Beja – Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Beja, Castro Verde, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola, Moura, Ourique, Serpa e Vidigueira, além de 2 freguesias do concelho de Odemira – e a algumas freguesias dos concelhos de Alcácer do Sal, Grândola e Santiago do Cacém, do distrito de Setúbal. Outra diferença relativamente ao queijo da Serra (e ao de Azeitão) diz respeito à raça das ovelhas.

Este queijo em formato de cilindro é comercializado sob a forma de merendeira, com peso compreendido entre 200 gr e 250 gr, em tamanho normal, entre 1.000 gr e 1.500 gr, ou sob a forma gigante, com peso entre 2.000 gr a 2.500 gr.

Passado o tempo de cura, o Queijo de Serpa fica com uma capa maleável fina e ligeiramente rugosa, de cor amarelo palha. Se conservado durante mais de dois anos, em ambiente fresco, torna-se rijo e seco.
 A origem do Queijo de Serpa, mais consumido no Sul de Portugal e à venda em grandes superfícies, perde-se nos tempos. Actualmente, uma das marcas que produz esta iguaria em Serpa já exporta para a Suíça, Espanha, Holanda, Angola e Timor. Localmente, todos os anos, no final de Fevereiro, a autarquia de Serpa prima o emblemático produto, base da sustentabilidade económica e cultural da região, promovendo-a também a Feira do Queijo do Alentejo.
 

12 de novembro de 2012


CABRITO DA BEIRA

Cabrito, um alimento de sacrifício e dedicação aos deuses.
 
O Cabrito da Beira é obtido a partir de cabras das raças portuguesas Charnequeira ou Serrana, ou de animal resultante do cruzamento destas duas raças. Ambas as raças, há muito tempo instaladas na Península Ibérica, são criadas em pastoreio extensivo na região da Beira (a Charnequeira nas charnecas da zona sul da Beira Interior e a Serrana, como o nome adivinha, na Serra da Estrela), são maioritariamente alimentadas de leite materno e possuem baixa estatura.
Os cabritos são abatidos entre os 40 e os 45 dias de vida, quando ainda têm um peso inferior a 15 kg. (a carcaça, o principal produto comercializável, com cerca de 6kg). Apresentam cor rosa-pálido, textura tenra e paladar suave e aleitado devido à alimentação que levaram.
Segundo a Identificação Geográfica Protegida (IGP), a produção de Cabrito da Beira compreende os concelhos de Almeida, Belmonte, Castelo Branco, Covilhã, Figueira de Castelo Rodrigo, Fundão, Guarda, Idanha-a-Nova, Mação, Meda, Oleiros, Penamacor, Pinhel, Proença-a-Nova, Sabugal, Sertã, Trancoso, Vila de Rei e Vila Velha de Rodão, onde os pastos são constituídos por gramíneas e leguminosas espontâneas.
As populações que ao longo dos séculos se fixaram na região da Beira Interior, em grande parte dominada por zonas de montanha e de floresta, pouco propícias à agricultura, encontraram na criação de gado miúdo, designadamente caprino e ovino, um óptimo substituto alimentar. Actualmente, embora seja procurado durante todo o ano é uma iguaria obrigatória na ementa da Páscoa, na sua região de origem. Tradicionalmente o Cabrito da Beira assado constitui uma das formas mais conhecidas de servir esta carne, contudo a gastronomia típica beirã apresenta igualmente o cabrito na brasa, ensopado ou estonado. Nesta última variedade, o cabrito não é esfolado, mas retira-se-lhe só os pelos, deixando a pele limpa e lisa, que uma vez cozinhada fica estaladiça e como tal, permite que a carne não perca gordura, ficando suculenta e mais saborosa.
 

11 de novembro de 2012


JEROPIGA
 

“No S. Martinho vai ao pipo da jeropiga e bebe um copinho.”

 

A Jeropiga é uma bebida alcoólica tradicional de Portugal, em particular, das regiões do Minho, Trás-os-Montes, Beira Interior e Ribatejo. Prepara-se adicionando uma quarta parte de aguardente ao mosto de uva abafado para impedir a fermentação, ficando a bebida mais doce e mais alcoólica que o vinho (com uma graduação máxima de 18º e teor mínimo de açúcar de 7 gr por 100 mililitros do produto), em madeira de carvalho, o que lhe dá um sabor especial.

A Jeropiga costuma acompanhar o magusto no dia de S. Martinho (11 de Novembro), mas para além desta data conserva-se como o vinho do Porto e continua a ser excelente para acompanhar outros frutos secos como nozes, avelãs ou figos e mesmo alguns doces tradicionais de Natal como filhós, fatias douradas ou broas.

A designação “Jeropiga” terá equivalência etimológica a “xaropiga”, inventada a partir de xarope, por ser uma bebida doce.