2 de dezembro de 2012


TORTAS DE AZEITÃO
 
 

“(…)estas tortas prometem um esplendor de sabor na boca!”

[http://saboresdaalma.blogspot.pt/2010/11/tortas-de-azeitao.html]

 

Um dos cartões-de-visita de Azeitão, estas tortas, de textura húmida, são feitas à base de ovos moles, gema de ovo, açúcar, água, limão e canela.

As Tortas de Azeitão terão a sua origem em Fronteira (Alto Alentejo) e a receita foi trazida por um familiar de Manuel Rodrigues, aguadeiro na região de Azeitão com a alcunha de “O Cego”, em finais do século XIX, que posteriormente abriu uma pastelaria com este nome por que era conhecido.

Actualmente com outras fábricas a produzir Tortas de Azeitão na região que lhe deram o nome, o produto é muito apreciado por quem visita a vila, é vendido em supermercados em Portugal e verifica-se a exportação desta iguaria com 75g de peso / cada, para Espanha, França e Itália, prevendo-se também o seu escoamento para Angola.

1 de dezembro de 2012


PONCHA DA MADEIRA
 

“Quem vai à Madeira e não bebe poncha, não pode se orgulhar que conhece verdadeiramente a “Pérola do Atlântico.”

 

A Poncha da Madeira é a bebida tradicional da Ilha da Madeira, Portugal. Típica do concelho de Câmara de Lobos, é uma bebida alcoólica doce feita à base de aguardente de cana-de-açúcar, mel e limão, tudo mexido muito bem por um instrumento de madeira, próprio para a Poncha, que contínua a ser típico da Ilha, designado de “caralhinho”.

A popularidade da Poncha advém igualmente do facto de muitos a considerarem uma boa bebida para atenuar maleitas da garganta. No entanto, não esquecer que, dado o teor alcoólico de cerca de 25% convém não exagerar no consumo – e muito menos conjugar com a toma de medicamentos!

Apesar de alguns estudos defenderem que a Poncha é originária da Índia (onde é conhecida por “Pãnch”), actualmente julga-se que a mesma tenha sido experimentada, pela primeira vez, na Ilha da Madeira, em meados do século XVIII, por ingleses que na altura viajavam entre este território e a Índia. Durante o século XIX a Poncha passou a ser uma bebida muito popular entre todas as classes de famílias madeirenses. Antigamente conhecida por ser uma bebida para afugentar o frio / a “bebida para aquecer” era inicialmente confecionada somente com aguardente de cana-de-açúcar à qual se adicionava a mesma quantidade de água, açúcar e cascas de limão q.b. Posteriormente substituiu-se o açúcar por mel e as cascas de limão pelo sumo do fruto, mantendo-se a aguardente de cana.

30 de novembro de 2012


PASTÉIS DE CHAVES

 

Uma aposta que valeu o epíteto de melhores pastéis folhados de Portugal

 

Os Pastéis de Chaves são uma iguaria da cidade de Chaves, em Trás-os-Montes e constituem uma das riquezas gastronómicas locais. Trata-se de um folhado finíssimo de massa amanteigada com carne picada de vitela no interior, cujo sabor distinto lhe é dado pelos ingredientes da própria região.


Os flavienses apreciam-nos ainda mornos, ao pequeno-almoço, ao lanche ou a qualquer outra hora do dia. Todavia, também já são vendidos congelados, sobretudo a pensar nos forasteiros que os hão-de querer levar como recordação e comer, mais tarde (e mais longe dali).

Reconhecidos como Indicação Geográfica, a estes pastéis estão assim garantidos reputação, valor e identidade própria e proteção contra fraudes e imitações, garantindo-se a origem, natureza e qualidade.

A história do Pastel de Chaves remonta a 1862, quando uma vendedora percorria a cidade com uma cesta contendo uns pastéis de forma pouco normal, mas demasiado deliciosos para saciar os flavienses. Atenta à situação, a fundadora da Casa do Antigo Pasteleiro terá oferecido uma libra pela receita de tão gostosa iguaria, conseguindo-se assim satisfazer melhor as necessidades da gula. Estes pastéis perduraram no paladar de locais e de turistas até aos dias de hoje, altura em que o negócio já vale quase quatro milhões de euros por ano, encontrando-se à venda em casas da especialidade, em Chaves.

29 de novembro de 2012


MORCELA DE ARROZ DE LEIRIA (Estremadura)
 
“Quando o céu cair quero viver mais uma vez / Nascer a falar português / Quero ouvir o fado erguer a voz / Comer morcela de arroz / Nascer em Portugal, o país á beira mar (…)”

[Rita Costa]

 

A morcela de arroz é uma iguaria característica da região de Leiria e da Estremadura em geral (nesta província portuguesa existem cerca de 20 tipos diferentes de morcelas de arroz). Confecionada a partir de carne entremeada de porco, sangue ao qual se adicionou vinho e vinagre para não coagular, cebolas, salsa, cominhos, cravinho, sal, pimenta e claro, arroz, é cozida em bastante água. A sua degustação é habitualmente feita depois de assada.

Enquanto produto enraizado na cultura popular regional, a Morcela de Arroz de Leiria vem sendo alvo de roteiro gastronómico próprio, promovido pela Junta de Freguesia de Leiria, desde 2004, além de ser reforçada a sua continuidade em várias actividades alusivas à gastronomia local, através da Confraria da Morcela de Arroz, ou pela Associação de Produtores de Morcela de Arroz de Leiria.

Como curiosidade, a degustação da Morcela de Arroz de Leiria já foi feita, a pedido, em provas na Assembleia da República e na Comissão Europeia e é conhecida a preferência do antigo Presidente da República, Mário Soares, por esta iguaria.

O modo de preparação e a antiguidade histórica atribuem características únicas a esta morcela. Outrora feita na altura da matança do porco, no âmbito do aproveitamento máximo da carne, conforme receita popular, a confeção da Morcela de Arroz de Leiria remontará ao século XIX, com a junção de arroz cozido ao preparado.

28 de novembro de 2012


MEL DO ALENTEJO

 

“(…) Tens a mais bela paisagem / Planície de trigais dourados / Papoilas carmim a enfeitar / És minha rainha coroada / O teu silêncio posso escutar / Entre os cânticos da bicharada(…)”

[in: Alentejo entre giestas, de Leo Marques]

  
 

O mel abrangido pela Dominação de Origem “Mel do Alentejo” é produzido pelas abelhas de raça local, Apis mellifera (sp. Ibérica), através das quais resulta mel monofloral (de rosmaninho, soagem, eucalipto ou laranjeira) ou mel multifloral. Entre o Mel do Alentejo monofloral, o de rosmaninho é claro, apresentando tonalidades até âmbar claro, de aroma e paladar fino e leve. O proveniente de soagem varia entre âmbar claro a âmbar, possui aroma e paladar suaves, mas tem tendência a cristalizar no prazo de 2 meses devido à relação frutose / glucose, ficando então compacto e com tom esbranquiçado ou amarelado. O mel de eucalipto, de cor âmbar, tem um sabor forte característico das fragâncias eucaliptais e a cristalização é mais tardia que a do mel de soagem. O mel de laranjeira apresenta uma cor clara, paladar delicado e aroma característico das fragâncias únicas dos laranjais, sendo a cristalização mais tardia que a das duas últimas variedades. No caso do Mel do Alentejo multifloral, em que deve verificar-se pelo menos uma percentagem mínima de 5% de esteva, ou sargaço, ou rosmaninho, ou soagem, ou eucalipto, ou cardo, ou tomilho, ou laranjeira, ou alecrim, a cor varia entre o âmbar claro ao âmbar escuro e o aroma e paladar são ricos e perfumados denotando a flora de origem. 

A zona de produção do Mel do Alentejo é constituída pelos concelhos interiores da região, como Alandroal, Alvito, Arraiolos, Barrancos, Beja, Borba, Cuba, Estremoz, Elvas, Évora, Ferreira do Alentejo, Fronteira, Montemor-o-Novo, Mora, Moura, Mourão, Portel, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Serpa, Sousel, Vendas Novas, Viana do Alentejo, Vidigueira e Vila Viçosa, onde predominam, entre outras, as espécies de flora anteriormente referidas, coexistentes com o montado de sobro e azinho característico da região mediterrânica e determinantes, em quantidade e qualidade, para a produção apícola.

A tonalidade que o Mel do Alentejo apresenta é também uma característica desta região, o que vai ao encontro da preferência do consumidor, uma vez que os méis claros costumam ser mais procurados nacional e internacionalmente.

Entre os critérios da Denominação de Origem “Mel do Alentejo” é proibido qualquer tratamento sanitário às colmeias durante os períodos de produção e quando tenham alças de armazenamento de mel. No envasilhamento e venda a classificação deverá apresentar-se como: mel monofloral de rosmaninho (lavandula stoechas); mel monofloral de eucalipto (eucalyptus s.p.p.); mel monofloral de laranjeira (citrus s.p.p.); mel monofloral de soagem (echium s.p.p.) ou mel multifloral. As embalagens são de vidro transparente e incolor, com capacidade até 1000 g e fechadas hermeticamente – na indústria hoteleira, restauração e catering poderá ser apresentado ao consumidor em embalagens individuais de material autorizado.

As pequenas indústrias rurais de produção de mel são uma tradição secular fortemente enraizada nos usos e costumes dos povos do Alentejo. Já as ordenações dos primeiros reis de Portugal testemunham os privilégios dados em foral aos “abelheiros”, os quais pagavam os seus foros e faziam trocas comerciais com o mel que produziam. Por outro lado, várias citações produzidas desde o século XIV até ao século XX, identificadas com o modelo da colmeia alentejana e o néctar, referem os cuidados a ter nos montados, os locais desta região onde tradicionalmente se cultiva ou explora a apicultura, as características químicas de baixo teor em água nos méis produzidos no Alentejo, as classificações obtidas em concursos nacionais e internacionais, as estatísticas. Actualmente, a região do Alentejo ocupa o 2º lugar no número máximo de colmeias existentes em Portugal.

27 de novembro de 2012


VITELA DE LAFÕES
 

"Vitelas e bezerrinhos, que se não recriam, tanto ao leite como logo depois de desmamados têm bastante procura para o açougue e dão a afamada vitela de S. Pedro do Sul e de Lafões.”

[Silvestre Bernardo de Lima, in: Archivo Rural, 1858]

 

Como o nome indica, a Vitela de Lafões é criada em explorações agrícolas familiares da região de Lafões – uma zona limitada a Norte pelo Maciço da Gralheira e a Sudoeste pela Serra do Caramulo e banhada pelos rios Vouga e Alfusqueiro e seus afluentes – especificamente, na área geográfica circunscrita aos concelhos de Oliveira de Frades, Vouzela, S. Pedro do Sul, às freguesias de Cedrim e Couto Esteves do concelho de Sever do Vouga, de Bodiosa e Ribafeita do concelho de Viseu e de Alva e Gafanhão do concelho de Castro Daire.

A carne de Vitela de Lafões provém exclusivamente de bovinos machos e fêmeas de raça arouquesa e mirandesa e seus cruzamentos, adaptados ao microclima local, abatidos aos 5 – 7 meses, cuja base de alimentação é o leite materno mais tarde suplementado com a flora autóctone (giesta, tojo, rosmaninho e carqueja) e farinhas de milho e centeio produzidas na própria exploração, sendo interdito o uso de rações.

Já em meados do século XIX que se conheciam as qualidades da Vitela de Lafões, muito apreciada em pratos tradicionais da região, onde habitualmente é assada em forno de lenha. Trata-se de uma carne muito saborosa, suculenta e tenra, com características organolépticas diferenciadoras como seja a cor rosácea – clara, com gordura de cor branca distribuída homogeneamente, consistência firme e ligeiramente húmida (que lhe atribui suculência), que deverá sofrer um período de maturação de pelo menos cinco dias a contar da data do abate até à venda ao consumidor.

26 de novembro de 2012


CLARINHAS DE FÃO
 
A gila como ícone da doçaria fangueira, que tem a clarinha como grande cartão de visita da região.
(Jornal "Correio do Minho", 23.11.2012) 

Confecionadas à base de gila, gemas de ovos, sumo de limão e açúcar em massa tenra, as Clarinhas de Fão não se querem douradas como um pastel de massa tenra, mas sim, clarinhas!

Marco gastronómico da vila de Fão, pertencente ao concelho de Esposende, os apreciadores defendem que as Clarinhas de Fão são boas quentes, mornas, frias, desde que a massa exterior seja bem fina e estaladiça.

As Clarinhas de Fão, que atravessaram gerações e famílias, serão herdeiras dos “pastéis de gila” do Convento do Menino Jesus, em Barcelos. Já em finais do século XIX estes “pastéis de gila” tinham fama, mas foi todavia no início do século XX que os jornais da região os descrevem como “únicos e distintos”, cuja fórmula criada por Amália e Rosália Freitas, duas de quatro irmãs que teriam vivido com uma avó de nome Clara e por essa razão eram conhecidas como “as Clarinhas”. Em 1947 é registado o nome da marca “Clarinhas”, em homenagem a uma das sócias e ao aspecto do pastel, proporcionado pelo açúcar branco que o cobre. O segredo da receita original manteve-se na família e actualmente os bisnetos registaram o doce “Pastéis de Lili”, com a mesma autenticidade de fabrico, numa homenagem à mãe (neta e sobrinha das doceiras iniciais), D. Lili, os quais podem ser encontrados à venda em Esposende. Já as Clarinhas de Fão continuam a ser comercializadas no centro antigo de Fão.