17 de dezembro de 2012


RABANADAS

 

As Rabanadas fazem parte de muitas mesas de Natal em Portugal.

Associadas ao Norte do país, abaixo do rio Mondego as Rabanadas também ficaram conhecidas por “Fatias Douradas” ou “Fatias Paridas” (designação alusiva ao momento do nascimento).

Existem diversas variações desta iguaria natalícia, desde o tipo de pão a utilizar (pão de forma feito a partir de farinha refinada), embora a receita tradicional refira o pão de trigo em forma de cacete como o mais indicado. Outras variantes substituem o polvilhado de açúcar e canela por calda de açúcar, mel, vinho ou por fios de ovos…

Escritos do século XV já faziam referência às Rabanadas como iguaria indicada para recuperar de partos – explicação que afinal faz todo o sentido ser aproveitada nesta quadra que se celebra todos os anos. Outra justificação para o aparecimento das Rabanadas na ementa de Natal prende-se com o reaproveitamento do pão, um ingrediente sagrado para os católicos por representar o corpo de Cristo. A introdução dos ovos na receita ter-se-á devido à necessidade de transformar esse pão velho em alimento com proteínas.
 
Receita de Rabanadas
1 cacete  com 5 dias
1 l de leite
5 dl de água
8 ovos
5 colheres de sopa de açúcar
Azeite ou Óleo para fritar
Açúcar e canela para polvilhar
 
Corta-se o cacete em fatias com um dedo de espessura. Ferve-se o leite, junta-se-lhe cerca de metade do seu volume de água e adoça-se com o açúcar.
Passam-se as rabanadas pelo leite, imediatamente pelos ovos batidos e depois fritam-se no azeite ou no óleo bem quente. Escorrem-se e colocam-se numa travessa, polvilhando-se, em seguida, com açúcar e canela.
 

16 de dezembro de 2012



ARROZ DE LINGUEIRÃO (Algarve)

 
A tradição piscatória vem de longe (…) crescimento e reprodução para muitas espécies de peixes, moluscos e crustáceos. É deste modo uma região (Algarve) privilegiada (…) para apreciar deliciosos pratos tradicionais como (…) o arroz de lingueirão (…)” [visitalgarve.pt]

 
Pode ser conhecido com outros nomes, como langueirão, canivetes, navalheiras. Todavia, no Algarve é conhecido pela designação de lingueirão. Considerado um parente pobre das ameijoas, dos berbigões, das conquilhas, este produto foi enriquecido adaptando-se ao arroz.

Este prato, naturalmente confecionado à base do lingueirão e do arroz, além de tomate, pimento verde, cebola, alho, louro, cravinho, vinho branco seco, azeite, sal e pimenta q.b., é tipicamente do litoral algarvio dadas as características naturais da região, medianamente económico e de resultado prazenteiro.

O lingueirão fica a descoberto na maré baixa, em grandes areais. Como qualquer molusco, deve ter-se cuidado na sua escolha e consumo, em função das zonas onde são capturados e dos locais onde são comprados, já que devido á sua capacidade filtradora podem acumular toxinas presentes nas águas. No mercado, devem ser adquiridos desejavelmente ainda vivos e consumidos no próprio dia. A sua frescura reconhece-se pelas cascas fechadas ou que se fecham ao toque.

De composição semelhante à do peixe ou da carne, possuem contudo menor quantidade de proteínas e de gordura, mas maior teor de colesterol. Rico em ferro, este tipo de moluscos fornece ainda vitaminas B1 e B2.

O Arroz de Lingueirão, idealmente caldoso serve-se como prato único ou para acompanhar alcabrozes e muxarrinhas fritas – peixes (marafados) do rio.

15 de dezembro de 2012


MARMELADA BRANCA DE ODIVELAS
 
 
"Em Odivelas tudo era doce, desde o amor que as freiras prometiam no fusilar das suas pupilas e na suavidade das suas vozes, até à marmelada de exquisita composição, com que se atafulhavam os aristocratas e os vates."
[Rocha Martins, in: Os Grandes Amores de Portugal]
 
A marmelada branca é um doce exclusivo de Odivelas. Trata-se de uma iguaria conventual, de cor muito clara, próximo do branco, mas não exactamente branco, produzida durante séculos no Mosteiro de São Dinis, pelas freiras Bernardas.
De acordo com o documento que garante a sua veracidade, a receita manuscrita no século XIX pela última freira do Convento de Odivelas, Carolina Augusta de Castro e Silva, por cada quilo de marmelos (escolhidos ainda em cor verde) cozidos e peneirados adiciona-se o dobro em açúcar em ponto alto de sorte. A totalidade da receita original, passada a uma afilhada desta freira, ainda constitui segredo.
Relativamente à forma como sempre foi apresentada, a Marmelada Branca de Odivelas serve-se em pequenos cubos e é degustada pegando-se nela à mão, como qualquer bolo seco. Como tal, esta marmelada que se distingue das outras por ser bastante mais clara, não foi concebida para barrar pão, mas para se comer como um bolo. A marmelada destinada à venda era embalada numa caixa de cartão que incluía um poema.
Reza a história que D. João V (século XVIII) não dispensava tão prazerosa marmelada, sempre que visitava o Mosteiro, e que a iguaria era oferecida pelas freiras, nos dias festivos, a convidados e a visitantes. A Marmelada Branca de Odivelas sobreviveu ao Terramoto de 1755 e à extinção das ordens religiosas em Portugal, em 1886, sendo que o Instituto de Odivelas, que ocupou as instalações do Convento, em 1900, ainda a confecionava nas décadas de 1930 / 40 do século XX. Entretanto, o actual município de Odivelas, em parceria com a Associação Empresarial de Comércio e Serviços de Loures e Odivelas, promoveu a constituição de uma secção de produtores da tradicional marmelada do Mosteiro e apostou na qualificação e registo da marca: Marmelada Branca de Odivelas – hoje em dia, identidade gastronómica do concelho de Odivelas, na área metropolitana de Lisboa.
Actualmente, a Marmelada Branca de Odivelas pode ser adquirida, neste concelho, em embalagens com cubos de 35 gr cada, para consumo individual, em barra de 115 gr ou em taça cerâmica que contém 550 gr do produto.

14 de dezembro de 2012


CALDO VERDE
 
 

“… bem quente, para limpar e acalmar as entranhas...”
 

O Caldo Verde é uma sopa típica do Norte de Portugal, especificamente, do Minho, mas por ser muito divulgada por todo o país será, provavelmente, a mais famosa sopa portuguesa. De cor predominantemente esverdeada, é feita com couve galega cortada em tiras bastante finas, batata, cebola, dentes de alho, azeite, sal e, claro está, água. Para uma degustação mais típica, não é aconselhável usar-se a varinha mágica na sua confeção, para se manter alguma aspereza que advém da batata e serve-se em tijela (idealmente de barro) com uma rodela de chouriço cozido e acompanhada de broa de milho.

Serve de início de refeição ou em ceia – muito em voga nas ceias das festas de casamento! Por cada 100 gr desta sopa consomem-se cerca de 42 calorias e há quem defenda que previne o cancro, ataques cardíacos, reduz o colesterol, evita pedras na vesícula e faz com que os intestinos funcionem melhor.

Apesar de todos estes benefícios, o Caldo Verde não deixa de ser um prato simples, com ingredientes baratos, que surgiu a partir dos produtos que estavam “à mão” na horta. Efectivamente, a couve galega, uma cultura muito fértil, sempre fez parte da paisagem rural da região minhota e desde cedo foi aproveitada para “dar forças” a quem ia trabalhar para os campos. No entanto, esta sopa rapidamente passou a fazer parte das saborosas recordações dos portugueses, em geral.
 
 
... e no final de um dia chuvoso e ventoso, como o de hoje na região de Lisboa, chegar a casa e comer um caldo verde quentinho, é dos melhores aconchegos!

13 de dezembro de 2012


BRISAS DO LIS
 
 

Quentes, frescas, inocentes e sobretudo muito doces

 
As Brisas do Lis são o ex-libris da doçaria da cidade de Leiria e da gastronomia local, no geral. Compostas por ovos, açúcar e amêndoa, apesar de mais doces que outras iguarias, vence o contraste entre a cremosidade do topo e a amêndoa ralada da base.

Tradicionalmente apresentadas em formato individual, moldadas em formas pequenas e colocadas em papel frisado, já se encontram também em versão “familiar” (a “super – brisa”), que começa a ser mais procurada para festas ou encontros.

As Brisas do Lis adoptam o nome do rio que banha a cidade de Leiria como referencial deste vasto território que é a região onde se insere esta cidade, configurando-se como um cartão-de-visita quer para os turistas. São embaixadoras da gastronomia da cidade e da região de Leiria e constituem mais um produto da doçaria conventual portuguesa. Terão nascido no extinto Convento de Santana, onde as freiras as preparavam e comercializavam. Aquando da extinção das Ordens Monásticas em 1834, a receita terá sido passada a uma residente que mais tarde a terá passado à proprietária do Café Colonial, ainda hoje existente na cidade. A partir daí, as Brisas do Lis atingiram a fama, passando a ser comercializadas também noutras pastelarias o que faz com que, no presente, para além de muito procuradas pelos leirienses, atraiam muitos apreciadores a esta cidade.

12 de dezembro de 2012


BOLO DO CACO (Ilha da Madeira)
 
“Assim cresças pão no forno, como a Graça de Deus se espalhou no mundo. Pai, Filho e Espírito Santo”
 
O Bolo do Caco é considerado “o pão da Madeira”. Confecionado com farinha de trigo, fermento de padeiro, água e sal, esta massa deve fermentar entre um a três dias, período após o qual se formam bolachas de bordas arredondadas, com cerca de 3 cm de altura e um palmo de diâmetro, que são cozidas sobre um caco de pedra de basalto (hoje adquirem-se placas de cimento para o efeito) previamente aquecida em brasas, até atingir uma temperatura escaldante – e daí a designação.
É consumido como entrada e barrado com manteiga de alho, como acompanhamento ou como iguaria principal e em sanduiches mais apreciadas na Ilha: pregos, carne em vinha de alhos, polvo, fiambre…
O Bolo do Caco será uma das principais heranças da influência magrebina e do arquipélago das Canárias na região, que ganhou enorme popularidade no cartaz turístico gastronómico da Ilha da Madeira e da Ilha do Porto Santo. Daí que actualmente a sua produção seja essencialmente para fins comerciais, ao passo que antigamente este pão era feito, somente, a nível particular, para aproveitar o resto de uma amassadura de pão de casa. Nessa época, o ritual de amassar realizava-se por entre conversas e murros na massa, num alguidar de madeira ou barro, não esquecendo a habitual bênção da massa. Diz-se que quando havia batata-doce nos lares acrescentava-se à massa, para tornar o bolo mais fofo e doce.