3 de janeiro de 2013


Vinhos do Dão
 Tudo nestas paragens são grandezas

 [José Saramago, a propósito da região onde se produz o milenar vinho do Dão]


Os Vinhos do Dão estão, hoje em dia, em mais de 50 países, sendo os mercados mais representativos a Dinamarca, Alemanha, França, Holanda, Reino Unido, Brasil, EUA, Canadá, Macau, Noruega, Suíça e Angola.

A região do Dão, que inclui os concelhos de Arganil, Oliveira do Hospital e Tábua, do distrito de Coimbra, os concelhos de Aguiar da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia e Seia, do distrito da Guarda e os concelhos de Carregal do Sal, Mangualde, Mortágua, Nelas, Penalva do Castelo, Santa Comba Dão, Satão, Tondela e parte de Viseu, possui no total cerca de 20.000 hectares de vinha distribuídos em pequenas propriedades abrigadas por pinhais.

Nascidos em solos graníticos e em condições climáticas especiais – com arrefecimento nocturno – levando a um lento amadurecimento das uvas que produzem vinhos de aromas ricos e de boa acidez, os Vinhos do Dão estão também relacionados com as seguintes castas apropriadas á região: como tintas recomendadas, alfrocheiro, alvarelhão, aragonez (tinta-roriz), bastardo, jaen, rufete, tinto-cão, trincadeira, ainda que a mais característica desta zona seja a Touriga Nacional; as brancas recomendadas, barcelo, bical, cerceal-branco, encruzado, malvasia-fina, rabo-de-ovelha, terrantez, uva-cão, verdelho.

O vinho mais típico do Dão é o tinto, de cor rubi com reflexos atijolados, aroma intenso a fruta madura, sabor complexo e delicado e textura aveludada e encorpada. Relativamente a outras variedades, os brancos, de cor amarela – citrina, aroma frutado, complexo e delicado, de sabor fresco e textura suave possuem uma acidez equilibrada. O vinho rosé, rosado, de aroma floral e frutado, igualmente de sabor fresco e persistente e textura leve e com acidez equilibrada. Já o espumante, com cor citrina, rubi ou rosada, possui um aroma frutado, sabor fresco e textura com boa acidez.

Dadas estas características, os Vinhos do Dão ganharam 26 medalhas no Concurso Mundial de Bruxelas de 2012, um evento que reuniu 8.400 vinhos de 50 países.

A história vitivinícola da região do Dão remonta há mais de um milénio. Antigos monges agricultores marcaram a cultura da vinha e o modo de produzir o vinho.

Terá sido na aldeia de Tourigo, no Dão, que nasceu aquela que é considerada a rainha das castas tintas portuguesas: a Touriga Nacional.

2 de janeiro de 2013


BATATA-DOCE DE ALJEZUR

 

"Batata - doce de Aljezur é uma coisa única em Portugal"  [José Sá Fernandes]

  

Para além do peixe e da caça, o concelho de Aljezur é também conhecido pela produção hortícola, em especial, a de batata-doce. De facto, a Batata-Doce de Aljezur, de formato alongado, cor púrpura ou castanho avermelhado e polpa amarela, pesando cada entre 50g e 450g é mais do que nunca considerada um ex-libris da identidade cultural desta região do noroeste algarvio.
A zona de produção desta iguaria está circunscrita ao concelho de Aljezur e às freguesias litorais do concelho de Odemira, ou seja, à Costa Vicentina e ao Sudoeste Alentejano, onde o recurso a técnicas e a métodos tradicionais para esta cultura agrícola tem permanecido no tempo.
As condições ambientais locais permitem o crescimento deste produto com qualidade e sabor diferenciado, não necessitando de se recorrer a químicos. Uma batata – doce destas, de tamanho médio, proporciona o dobro da quantidade de vitamina A e um terço de vitamina C relativamente ao que se aconselha ingerir diariamente, além de ser rica em ferro, potássio e antioxidantes. Por outro lado, possui um elevado valor energético devido aos hidratos de carbono e açúcares.
Considerada, desde há muito, um alimento completo, a Batata-Doce de Aljezur pode ser consumida assada, frita, a acompanhar peixe ou caça e é igualmente ingrediente de pratos tradicionais da gastronomia local como a couvada com batata-doce, feijão com batata-doce, rojões de porco com batata-doce, bolo de batata-doce, pastéis de batata-doce ou torta de batata-doce.
 
Reza a lenda que os cavaleiros de Santiago, antes de cada batalha, utilizavam como complemento vitamínico uma poção elaborada a partir da batata-doce – a feijoada de Batata-Doce de Aljezur - a ponto de o vigor e rapidez na tomada do castelo de Aljezur, em 1249, ter deixado os mouros boquiabertos.

1 de janeiro de 2013


TIGELADAS DE ABRANTES
 

Tigeladas de Abrantes, um sabor intemporal nas mãos certas.”

 
Mais uma herdeira das tradições doceiras dos conventos, a Tigelada de Abrantes é o doce mais característico desta região ribatejana, a par com a Palha de Abrantes (já referenciada neste blogue) e conhecido em todo o país.

Confecionadas com açúcar, leite, raspa de limão, farinha, ovos e canela em pó, estas tigeladas devem a sua designação ao facto de serem cozidas em tigelas de barro vermelho não vidrado e sem qualquer gordura. 

As Tigeladas de Abrantes terão a sua origem na aldeia de Rio de Moinhos, neste concelho, através de uma lavadeira do Convento da Graça, em Abrantes, que aprendeu o segredo do doce com as freiras e assim a receita foi passando de geração em geração até aos nossos dias.

31 de dezembro de 2012


MASSA SOVADA (Açores)

 

Massa Sovada, indissociável das celebrações do Espírito Santo
 
A Massa Sovada, típica dos Açores, consiste numa massa leve e fofa de pão doce, confecionada a partir de leite, farinha, fermento de padeiro, açúcar, ovo, manteiga, banha de porco, aguardente, raspa de limão e sal.

A Massa Sovada está tradicionalmente ligada às Festas do Espírito Santo, Páscoa, Natal, em casamentos (os noivos oferecem aos convidados, embrulhando o bolo em papel transparente com fitinha). Como o nome indica, é amassada e sovada à mão, para ficar com a textura pretendida, mais firme e libertar os gases do fermento, até entrar no forno.

Serve-se como sobremesa, a acompanhar refeições (como por exemplo, a alcatra) ou barrada com manteiga.

30 de dezembro de 2012


MARANHOS DA SERTÃ
 
Depois de esfoladas eram cortadas ao meio, tiravam os presuntos para assar e o pescoço era aproveitado para o cozido ou para o maranho; as peles da barriga também eram utilizadas nos maranhos; a versura era para fazer arroz: coração, fígado e bofes; a bochada (estômago) servia para confeccionar os maranhos” (Sobreira Formosa)

 
Os Maranhos constituem um prato tradicional na Sertã e conhecido na região da Beira Baixa, em geral (concelhos de Mação, Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Pampilhosa da Serra), antigamente servido só em datas festivas mas actualmente, em qualquer altura do ano.

Sendo a receita mais conhecida a da Sertã, esta iguaria consiste num “saco” feito a partir de bucho de cabra e recheado com mais bucho e carne de cabra com cerca de um ano ou de ovelha, presunto, toucinho entremeado, chouriço de carne, arroz, cebola, alho, vinho branco, azeite, sal, cominhos. Este “saco” é depois cozido com linha e agulha e os maranhos vão a cozer em água a ferver temperada de sal e muita hortelã. Depois de cozinhado é fatiado e preferencialmente acompanhado de grelos.

Sobretudo até 1960, os Maranhos eram consumidos como prato principal ou como acompanhamento, apenas em dias de festa como o Natal, Páscoa, Festas do espírito Santo, Santo António, festas do Concelho, festa do 15 de Agosto, casamentos (ainda que em Proença-a-Nova, os noivos não deviam comer maranhos, para “não terem uma vida futura enleada”) ou de celebração de trabalhos agrícolas especiais, aproveitando-se o papel relevante que o gado ovino e caprino tinha na economia familiar. No concelho da Sertã os Maranhos não podiam faltar ao jantar, por altura da gramagem do linho e da pisa das castanhas. Já a opção por carne de cabra ou de carneiro, de cabrito ou de borrego, variava consoante o cozinheiro(a), a situação económica das famílias, a época do ano.

A partir da década de 60 do século passado, a aquisição de carne de caprinos ou de ovinos tornou-se possível em qualquer altura do ano e a confeção do maranho passou a ser mais frequente. Inclusivamente, é comum assistir-se a pessoas que vêm de longe para apreciarem esta iguaria.

29 de dezembro de 2012


OVOS MOLES (Aveiro)
 
“… uma viagem que teve mais razão de ser por ser aquele mui provavelmente, o local berço dos Ovos-moles, ainda nas instalações do primordial mosteiro de jesus do séc. XV, à época da princesa Joana, entretanto feita Santa-Padroeira da cidade.”

 
Os Ovos Moles são um doce típico da cidade de Aveiro, conhecidos por todo o território nacional e uma especialidade certificada no espaço da União Europeia, garantindo-se assim que este doce só pode ser confecionado na região de Aveiro e de acordo com normas pré-estabelecidas.

Conforme a sua designação, a base dos Ovos Moles é feita a partir de gema de ovo, açúcar e água, resultando numa massa consistente mas cremosa que não deve ser batida em círculo para não ganhar estrias.

A origem deste doce deve-se às freiras dos vários conventos existentes em Aveiro desde o século XV (dominicanas, franciscanas e carmelitas), que à semelhança do que se fazia noutros locais, recorriam às claras dos ovos para engomar os hábitos e para não desperdiçar as gemas, ao mesmo tempo que experimentavam o açúcar acabado de chegar da recém-descoberta Ilha da Madeira, foram concebendo esta iguaria, que começou por servir de remédio a pessoas debilitadas.

Extintos estes conventos, a receita manteve-se através de educandas das referidas freiras até que a comercialização dos Ovos Moles passou a ser feita na estação de comboios de Aveiro – aproveitando os primórdios da linha férrea Lisboa / Porto – por mulheres de trajes regionais. Posteriormente, a apresentação do doce faz-se em barricas de madeira pintadas com moliceiros (as embarcações típicas da região) e com outros motivos da Ria de Aveiro, ou em taças de cerâmica ou ainda envolvido em massa de hóstia passada por calda de açúcar para ficar opaca e mais consistente, recheada com o doce, moldada em formas de elementos marinhos e vendidas à unidade ou em embalagens de papel.

28 de dezembro de 2012


EMPADA DE ARRAIOLOS
 
 
As sempre apreciadas empadas alentejanas têm aqui o seu berço.”
 

Além dos famosos tapetes, Arraiolos é um município alentejano também conhecido pelas suas empadas – cuja qualidade e procura, aliadas
à preservação de elementos históricos, saberes e tradições, justifica o respectivo festival anual.

Com efeito, as Empadas de Arraiolos, de valor histórico e cultural e como tal, referência na gastronomia local, são um salgado típico enformado de massa tenra e recheado com carne de galinha (ou galo) ou carne de coelho, faisão, lebre ou galinhola, a que são também adicionadas ervas aromáticas.

Sobre a Empada de Arraiolos, desde há longos anos que se relata a lenda que D. Maria Joana do Café, na Praça desta vila, sempre vendeu empadas no seu estabelecimento. Após a sua morte, permaneceu no local (entretanto, já com outras designações) o letreiro “Fabrico Especial de Empadas” bem como o sucesso da iguaria, que se generalizou ao concelho.