7 de janeiro de 2013


PÃO DE RALA



Pesado, mas deixa o paladar pouco ralado


Pão de Rala é um doce conventual típico de Évora e muito apreciado por todo o Alentejo. É feito com doce de ovos, açúcar, fios de ovos e gila, amêndoa pelada e ralada, farinha e raspa de limão. Em tons amarelados dados pelo conjunto dos ingredientes, apresenta-se com a forma de uma broa redonda.
Consumido ao longo de todo o ano, o Pão de Rala está no entanto sempre presente em grandes ocasiões e serve como presente de homenagem ou reconhecimento de favores.
A origem do Pão de Rala está associada a uma lenda que relata a visita surpresa do rei D. Sebastião ao convento de Santa Helena do Calvário, em Évora, no século XVI. Não esperando pela visita régia e pouco tendo para oferecer, a madre abadessa apresentou o que dispunha: uns pães ralos que por lá havia, azeitonas e água. Apesar de simples, o monarca apreciou a refeição e decidiu atribuir tença ao convento. A tal benefício, as freiras retribuíram com este doce, em alegoria ao pão anteriormente servido, não descurando o pormenor das azeitonas, agora também doces, feitas em massapão escurecido com cacau. E até aos nossos dias, o pão ralo passou a Pão de Rala, símbolo da doçaria conventual de Évora.

6 de janeiro de 2013


PÃO DE MAFRA

O pão que foi «saloio» antes de conquistar Lisboa[cafeportugal.net]

O Pão de Mafra, produzido por panificadores deste concelho, é já uma marca registada.
Herdeiro do “pão saloio” e elaborado segundo um método tradicional, o Pão de Mafra é feito de massa macia e com muitos buracos e crosta pouco rija. Trata-se de um pão com elevada percentagem de água e ainda composto por farinha de trigo tipo 80, farinha de centeio tipo 70 – pelo menos 70% destas farinhas é ainda moída em mós de pedra - levedura, sal e no final resulta um produto com peso que varia entre 400 e 800 gr. Como características, de salientar que este pão é amassado durante cerca de 30 a 40 minutos, é cozido a lenha ou a gás e possui um sabor ligeiramente mais doce do que o de outros pães, por ter menos tempo de fermentação.
Enquanto conhecido por “pão saloio”, o fabrico deste pão começou por ser uma actividade essencialmente doméstica e artesanal, que durante séculos marcou os ritmos do ciclo agrícola. No século XIX já era vendido nesta região saloia dos arredores de Lisboa e zona de Sintra e de Cascais. Daí à capital e a outros pontos do país foi um passo. Como Pão de Mafra, nasceu na freguesia da Encarnação, em 1960, quando um padeiro local recorreu a uma receita da avó para fazer um pão “mais à pressa” e cedo ganhou notoriedade. Actualmente, o Pão de Mafra é uma iguaria fabricada para consumo diário e representa uma das mais importantes actividades industriais do município de Mafra.

5 de janeiro de 2013


SARAPATEL (Castelo de Vide)


"É a parte mais íngreme, escura e húmida de Castelo de Vide"


Iguaria tradicional do alto Alentejo e um dos ex-libris da vila de Castelo de Vide, o Sarapatel consiste num guisado de vísceras e costelas de borrego ou cabrito, ao qual se acrescenta o sangue, toucinho fresco, pão caseiro para servir junto com o preparado, hortelã e vinagre, rodelas de laranja.
A época tradicional de confeção do Sarapatel em Castelo de Vide é a Páscoa, em particular o Domingo de Páscoa, altura em que se reúne a família para compensar as provações e o jejum da quaresma, além de servir de aproveitamento da carne do borrego, tradicionalmente consumido no Alentejo, na época. Antigamente também era comum saborear-se o Sarapatel nos casamentos locais.

4 de janeiro de 2013


TROUXAS DA MALVEIRA


 "Coma trouxas... não seja trouxa/Delícia que nos encanta/Não se esqueça de levar/ Trouxas para aquela santa... sogra". [verso inscrito na parede da Fábrica das Trouxas da Malveira]



As Trouxas da Malveira são tortinhas de pão-de-ló leve polvilhadas de açúcar granulado, com recheio de doce de ovos, creme de baunilha e frutos secos moídos.

Com um processo de fabrico levado a cabo a partir da “sabedoria saloia” e mantido em segredo desde 1906, sabe-se que estes bolos são feitos a partir de ingredientes 100% naturais.

As Trouxas da Malveira constituem outro doce conventual, no caso mais uma herança do Convento de Odivelas, que no final do século XIX foi levada para a Malveira por duas senhoras que tinham trabalhado no referido convento das freiras da Ordem de Cister e assim empreenderam uma tradição conventual da doçaria da região saloia.

Inicialmente assumida como “tortas”, a partir dos anos 20 do século passado esta iguaria passou a designar-se de “trouxas”, numa alusão etnográfica às lavadeiras da Malveira.

Nessa altura, a época de ouro de procura das Trouxas da Malveira era o Carnaval, quando os desfiles de Torres Vedras atraíam muita gente que, pelo caminho, parava na Malveira, a ponto de os pasteleiros terem de começar a bater a massa três dias antes, logo pela madrugada, para que cada tabuleiro destes bolos pudesse ser retirado do forno de três em três minutos.

3 de janeiro de 2013

http://www.facebook.com/EUmaIguariaPortuguesaComCerteza?ref=hl#!/EUmaIguariaPortuguesaComCerteza

Vinhos do Dão
 Tudo nestas paragens são grandezas

 [José Saramago, a propósito da região onde se produz o milenar vinho do Dão]


Os Vinhos do Dão estão, hoje em dia, em mais de 50 países, sendo os mercados mais representativos a Dinamarca, Alemanha, França, Holanda, Reino Unido, Brasil, EUA, Canadá, Macau, Noruega, Suíça e Angola.

A região do Dão, que inclui os concelhos de Arganil, Oliveira do Hospital e Tábua, do distrito de Coimbra, os concelhos de Aguiar da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia e Seia, do distrito da Guarda e os concelhos de Carregal do Sal, Mangualde, Mortágua, Nelas, Penalva do Castelo, Santa Comba Dão, Satão, Tondela e parte de Viseu, possui no total cerca de 20.000 hectares de vinha distribuídos em pequenas propriedades abrigadas por pinhais.

Nascidos em solos graníticos e em condições climáticas especiais – com arrefecimento nocturno – levando a um lento amadurecimento das uvas que produzem vinhos de aromas ricos e de boa acidez, os Vinhos do Dão estão também relacionados com as seguintes castas apropriadas á região: como tintas recomendadas, alfrocheiro, alvarelhão, aragonez (tinta-roriz), bastardo, jaen, rufete, tinto-cão, trincadeira, ainda que a mais característica desta zona seja a Touriga Nacional; as brancas recomendadas, barcelo, bical, cerceal-branco, encruzado, malvasia-fina, rabo-de-ovelha, terrantez, uva-cão, verdelho.

O vinho mais típico do Dão é o tinto, de cor rubi com reflexos atijolados, aroma intenso a fruta madura, sabor complexo e delicado e textura aveludada e encorpada. Relativamente a outras variedades, os brancos, de cor amarela – citrina, aroma frutado, complexo e delicado, de sabor fresco e textura suave possuem uma acidez equilibrada. O vinho rosé, rosado, de aroma floral e frutado, igualmente de sabor fresco e persistente e textura leve e com acidez equilibrada. Já o espumante, com cor citrina, rubi ou rosada, possui um aroma frutado, sabor fresco e textura com boa acidez.

Dadas estas características, os Vinhos do Dão ganharam 26 medalhas no Concurso Mundial de Bruxelas de 2012, um evento que reuniu 8.400 vinhos de 50 países.

A história vitivinícola da região do Dão remonta há mais de um milénio. Antigos monges agricultores marcaram a cultura da vinha e o modo de produzir o vinho.

Terá sido na aldeia de Tourigo, no Dão, que nasceu aquela que é considerada a rainha das castas tintas portuguesas: a Touriga Nacional.

2 de janeiro de 2013


BATATA-DOCE DE ALJEZUR

 

"Batata - doce de Aljezur é uma coisa única em Portugal"  [José Sá Fernandes]

  

Para além do peixe e da caça, o concelho de Aljezur é também conhecido pela produção hortícola, em especial, a de batata-doce. De facto, a Batata-Doce de Aljezur, de formato alongado, cor púrpura ou castanho avermelhado e polpa amarela, pesando cada entre 50g e 450g é mais do que nunca considerada um ex-libris da identidade cultural desta região do noroeste algarvio.
A zona de produção desta iguaria está circunscrita ao concelho de Aljezur e às freguesias litorais do concelho de Odemira, ou seja, à Costa Vicentina e ao Sudoeste Alentejano, onde o recurso a técnicas e a métodos tradicionais para esta cultura agrícola tem permanecido no tempo.
As condições ambientais locais permitem o crescimento deste produto com qualidade e sabor diferenciado, não necessitando de se recorrer a químicos. Uma batata – doce destas, de tamanho médio, proporciona o dobro da quantidade de vitamina A e um terço de vitamina C relativamente ao que se aconselha ingerir diariamente, além de ser rica em ferro, potássio e antioxidantes. Por outro lado, possui um elevado valor energético devido aos hidratos de carbono e açúcares.
Considerada, desde há muito, um alimento completo, a Batata-Doce de Aljezur pode ser consumida assada, frita, a acompanhar peixe ou caça e é igualmente ingrediente de pratos tradicionais da gastronomia local como a couvada com batata-doce, feijão com batata-doce, rojões de porco com batata-doce, bolo de batata-doce, pastéis de batata-doce ou torta de batata-doce.
 
Reza a lenda que os cavaleiros de Santiago, antes de cada batalha, utilizavam como complemento vitamínico uma poção elaborada a partir da batata-doce – a feijoada de Batata-Doce de Aljezur - a ponto de o vigor e rapidez na tomada do castelo de Aljezur, em 1249, ter deixado os mouros boquiabertos.