LICOR DO MOSTEIRO DE SINGEVERGA | SANTO TIRSO

 

Licor do Mosteiro de Singeverga, um licor artesanal típico de Santo Tirso, apresentado em uma garrafa elegante, com rótulo distintivo, destacando sua coloração âmbar e a textura viscosa, representando a herança monástica e a tradição de infusão de ervas, apreciado como digestivo e símbolo da cultura local
Fotografias: Câmara Municipal de Santo Tirso e Mapio.net

“É, no fundo, a nossa cara para o exterior, as pessoas conhecem-nos graças a este licor.” (abade do Mosteiro de Singeverga)

O Licor do Mosteiro de Singeverga é considerado o único licor monástico português, exclusivamente preparado desde 1935, através de meticulosos métodos artesanais, pelos monges beneditinos residentes no Mosteiro com o mesmo nome. À escala mundial, esta é uma das onze bebidas monásticas que ainda se produzem entre claustros.

Aromático aperitivo ou digestivo, de cor topázio e de paladar fino e delicado, o Licor do Mosteiro de Singeverga resulta de duas macerações e igual número de destilações, em álcool etílico com agitação regular manual, durante duas semanas no total, com plantas aromáticas de propriedades terapêuticas e balsâmicas e especiarias, num total de doze (destacando-se a noz-moscada, o açafrão, cravinho, canela, baunilha, chá preto, entre outras). Outros ingredientes que fazem parte da sua composição são a água, o açúcar, ácido cítrico e, naturalmente, álcool. Após este período, em busca de maior densidade e textura, durante cerca de um ano o néctar repousa nas mesmas pipas de carvalho que têm sido usadas ao longo dos tempos desta preparação. A restante fórmula guarda-se no segredo passado de monge para monge, ao longo destas décadas.

Segundo fonte do Mosteiro, a produção dos 4.000 litros por ano deste licor, para cerca de 8.000 garrafas, dá-se sobretudo no inverno, pois “o processo manual de destilação é feito a fogo”.

Também o próprio processo de engarrafamento e rotulagem das garrafas continua a ser feito manualmente, uma a uma. Como curiosidade, o rótulo da garrafa foi concebido pelo artista húngaro Attila Mendly de Vétyemy, aquando da sua estadia no Mosteiro, durante a década de 1940.

O Mosteiro de São Bento de Singeverga, localizado no lugar do mesmo nome, em Roriz, concelho de Santo Tirso, foi fundado em 1892 e agraciado ao título de Abadia em 1938, sendo a única de clausura monástica da ordem religiosa dos beneditinos que ainda está ativa em Portugal.

Seguindo a regra de São Bento, Ora et Labora (reza e trabalha), estes monges sempre se dedicaram a atividades agrícolas e agropecuárias, de onde retiram alimento e serve de fonte de rendimento. Outras ocupações (“labora”), essencialmente manuais, passam pelas artes, encadernações em couro, carpintaria, escultura e fabrico e restauro de mobiliário litúrgico em madeira, para uso no Mosteiro e para venda. Com cerca de 80 hectares de quinta envolvente, estão reunidas muitas das condições para a produção do licor, cuja fórmula para produção para fins externos à congregação foi desenvolvida a partir de 1945, com a ajuda de um engenheiro químico.

O Licor do Mosteiro de Singeverga está disponível para venda no local, em algumas superfícies comerciais nacionais e também há a possibilidade de os monges satisfazerem encomendas do estrangeiro. Habitualmente é escoada toda a produção anual, verificando-se o pico de vendas na época do Natal.

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